Eu transformo a educação com tecnologia

Maria das Graças Silva Chaves

Coordenadora pedagógica da Escola Municipal Pedro Paranhos (Lauro de Freitas, Bahia), Maria das Graças Silva Chaves afirma que as ferramentas digitais têm potencial para tornar a sala de aula um espaço coletivo de conhecimento, interação e troca de informações, além de promover um “reencantamento” dos/as estudantes com a escola. Confira abaixo:

Como coordenadora pedagógica de uma escola pública, que avaliação a senhora faz sobre o uso das tecnologias na educação?

Mesmo diante dos diversos entraves e desafios que ainda estamos enfrentando neste período de ensino remoto, temos consciência de que o uso das ferramentas digitais entrou agora com força total em sala de aula.

Essa revolução tecnológica em curso é irreversível, portanto, é fundamental que o professor conheça ferramentas digitais que possam dar o suporte necessário para tornar a sala de aula um espaço coletivo de conhecimento, de interação, de troca de informações e de “reencantamento” com a escola.

Em nossa escola, esse processo foi acelerado com a pandemia, que induziu uma busca por alternativas que permitissem manter a escola viva. O uso das TICs, que sempre enfrentou a resistência de muitos, foi colocado em prática, e isso se tornou um desafio por diversos fatores. Além da resistência de profissionais que não tinham familiaridade com as ferramentas virtuais, tinham também aqueles que não queriam ou não se sentiam à vontade em sair de um terreno conhecido para mergulhar em um oceano de incertezas e pensar fora desta caixa. No entanto, não nos furtamos desta caminhada e, ao longo do percurso, buscamos nos aperfeiçoar.

Como têm sido essa fase de maior uso de tecnologias digitais para docentes e estudantes?

O início desse processo foi impactante, pois tivemos de mudar o nosso fazer em sala de aula. Nesse contexto, o trabalho da coordenação pedagógica das escolas da rede, juntamente com o da gestão, foi de grande importância para os resultados alcançados.

Ainda há muito para aprender com as novas tecnologias, mas estamos abertos e dispostos a lidar com novos desafios. Mas temos um calcanhar de Aquiles, que é a falta de infraestrutura (equipamentos e conectividade) para todos, o que dificulta o nosso trabalho.

De maneira geral, contudo, diria que essa fase nos deu convicção de que devemos enxergar nossos estudantes como sujeitos protagonistas na construção de conhecimentos significativos e reconhecer o lugar destes sujeitos como produtores, consumidores e agentes multiplicadores destas novas ferramentas, pois aprenderemos muito com eles. Novos desafios são postos diariamente à escola e nós, educadores, devemos manter a mente aberta para a inserção destas ferramentas de aprendizagem, que vieram para não mais nos deixar.

 

Como a rede de ensino lida com esse problema da falta de infraestrutura?

A nossa maior dificuldade é a garantia de acesso a tecnologia para todos os alunos da rede. Entretanto, hoje, depois de um ano e meio de diversos entraves para alcançar a grande maioria dos nossos educandos, a rede de Lauro de Freitas está entregando para todos os estudantes um tablet com chip e internet, bem como uma plataforma de estudo, para que todos possam acessar as aulas síncronas e assíncronas ofertadas por cada escola. Essa medida parte da compreensão de que esse investimento em tecnologia pode proporcionar qualidade, equidade e prazer em aprender. O ambiente pedagógico necessita ser um lugar de fascinação e inventividade.

 

De que maneira os conteúdos e ferramentas do CIEB têm apoiado à rede na implementação de projetos de inovação com o uso de tecnologias?

Utilizamos os materiais do CIEB como ferramenta de estudo e sistematização de ações efetivas que favoreçam o processo de novas aquisições de aprendizagens para nossa rede. A portaria que estabelece o ensino remoto, por exemplo, está relacionada com as estratégias de acesso remoto elencadas pelo CIEB como essenciais para utilização em nosso plano de ação.

 

Publicado em: transformadores